Fruto do Calibre 35, um
projeto que tem como intuito a produção de material cinematográfico
independente e de qualidade na região de Sorocaba-SP, o curta-metragem Retrato
de um filho da puta, lançado em 2012, tem roteiro e direção de Amadeu Gomes,
conhecido editor e motion designer, responsável pela produção de conteúdos e
animações para painéis de Led para artistas como Fernando e Sorocaba e Tuta
Guedes, e pela edição de videoclipes, como o da dupla Thaeme e Thiago com o
Luan Santana.
O curta, com um pouco mais de
3 minutos de duração, inicia com um senhor de meia-idade (Mario Persico)
contemplando na parede o retrato de Sigmund Freud, pai da Psicanálise, e o
diploma de Psicologia, enquanto veste um paletó. Nesse momento é surpreendido
por um jovem empresário (Tato Ribeiro) que se anuncia já pedindo para lhe
falar. Ele passa a contar alguns episódios de sua vida: a traição da esposa,
sua atitude de deserdá-la, a rejeição de seus filhos e o desejo de se matar. É
nesse momento que a narrativa ganha interesse: o empresário recebe uma tapa na
cara e o conselho de assumir seu egocentrismo e desprezo pela opinião alheira,
ou seja, assumir que é, na verdade, um filho da puta. O melhor do curta
consiste na reação do empresário e em uma revelação capaz de surpreender o
espectador.
O filme trabalha com uma
ideia pouco original: o tratamento de um problema psíquico por meio de uma
espécie de psicologia reversa (terapia em que se manda o paciente fazer o
oposto do que se deseja), já explorada em diversos outros filmes. No entanto, o
mérito do curta-metragem é justamente desvirtuar essa psicologia, é sugerir que
o comportamento que normalmente não se espera e se condena, seja o
recomendável. Nesse sentido, o terapeuta se aproxima de um analista de Bagé, do
Luís Fernando Veríssimo, e a narrativa ganha humor. No mais, a película tem a
grande virtude de prender a atenção do espectador desde seus momentos iniciais.
É um filme que vale a pena conferir.
Sérgio Santos

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